quinta-feira, 15 de abril de 2010

TweetBOPE




  Em tempos de eleições, voltam as promessas, os comícios com escolas de samba, os beijos nos recém-nascidos e o maldito horário político. Fazer o que? Tudo isso é necessário para o exercer da cidadania em uma país democrático de voto obrigatório como o nosso.

  Muitos não sabem a importância do voto, alguns escolhem o candidato mais bonito, ou aquele que prometeu dar uma casa numa favela com vista para o mar. Ainda verei uma eleição onde a maioria dos votos será anulada e os políticos ficarão com a cara no chão, com o real poder do povo.

  Mas hoje, venho aqui falar sobre algo maior do que qualquer regionalismo político. Venho falar de algo em escala nacional, e por que não global (já que a decisão influenciará o mundo todo), venho falar das eleições presidenciais. Minha simpatia, a priori não pertence aos grandes, porém é para eles que os holofotes estão apontados, logo é deles que se quer ouvir falar.

  Com isso, o The Day After Urban War lança uma coluna chamada TweetBOPE. Nada mais nada menos do que uma pesquisa de intenção de voto por meio dos followers dos nossos queridos candidatos no Twitter, sofrendo é claro a influência das suas ações na campanha. Já que os mesmos não respondem minhas piadas na rede social que mais tem crescido, quem sabe isso lhes interesse?





15-04-2010

Dilma: 21,431 Followers
Serra: 198,606 Followers




quarta-feira, 7 de abril de 2010

A Vulnerabilidade





. Existe algum lugar, em todos nós, em que sentimos uma dor profunda, seja lá qual for a intensidade do golpe, que na verdade pode ser apenas um toque. É difícil explicar, mas em nossa armadura cotidiana existe um furo invisível aos nossos olhos e percepção. Escondido, essa pequena abertura fica oculta em nosso corpo, e se torna tangível quando somos de alguma forma “atacados”.

. Dói. Dói demais. Às vezes vem em sonhos. Outras vezes em meras recordações. Ou naqueles arquivos guardados num computador velho. Aquela carta debaixo de papéis sem sentido no fundo da gaveta. Não sei explicar, novamente. Mas dói. Dói de uma forma que nossa respiração fica mais forte e inexplicavelmente mais lenta, e como se cada movimento feito, o viver se tornasse uma oscilação em um pêndulo de gravidade pesada coberto por agulhas indestrutíveis que nos tocam no bailar aprazível de nosso ser. O ambiente fica aflito e a atmosfera que vivemos é composta de atormentações e desgosto.

. Pode ser rápido... bater e ir embora. Como pode ser visita incomoda. Chega e vai ficando. Piorando a cada dia. Se tornando de casa. Se alimentando de sua alma. E você não sabe como mandá-la embora. Ê angustia.

É. A vida tem dessas coisas. Sabe-se lá por qual razão. Eu só sei que dói. Dói demais. Quando alguém descobrir o remédio, só me avisar, estou precisando. Obrigado.

Música da Semana - "Bad Company" (Bad Company)
Filme da Semana - "Homem de Ferro" (Ação)
Frase da Semana - "Força e Honra" (Marcelo Dourado)
Imagem - A Caveira (Paul Cèzanne)

sábado, 20 de fevereiro de 2010

As 10 melhores músicas - Coldplay



.A confecção de listas é um ato extremamente egoísta, focado no próprio ponto de vista e muitas vezes controverso. Nunca se é o suficiente pra fazer alguma lista sobre alguma coisa para além de si mesmo. Mas é uma ação muito comum por partes de críticos e pessoas que se acham capazes de tal.

.Na próxima semana, o Coldplay desembarca no Brasil. Eu como grande fã resolvi eleger as 10 melhores músicas da banda. Sei que não sou o maior fã, o melhor ou o mais bonito(haha). Mas posso dizer que Coldplay faz parte da minha vida e se eu tivesse um relógio contando as horas que já ouvi, provavelmente estariam marcando na escala dos dias e quem sabe meses. O rock melódico impactante da banda londrina é sem igual, sua interação com seus fãs fabulosa e nós os fãs só temos a ganhar.

.Tentei ser o mais democrático na confecção dessa lista, colocando músicas dos 4 CDs até hoje lançados: Parachutes (1999), A Rush of Blood to the Head (2002), X&Y (2005) e Viva La Vida or Death All His Friend (2008).

Vamos para The Hardest Part que é fazer a lista. Espero que gostem. ;)

10. Amsterdam

A última faixa do segundo álbum da banda é uma das músicas mais lindas da banda. Se não for a mais linda. Seu início misterioso, o piano suave e toda sua melodia terna fazem de Amsterdam uma boa pedida para dias sozinhos em que necessitamos ouvir algo pra nos sentirmos melhor e completar um eventual vazio.

9. Talk

A n° 5 do ‘X&Y’ é uma música diferenciada. Com um refrão simples e melodia harmoniosa, Talk tem uma letra que remete a amizade, indecisão sobre o futuro e a vontade de nos completarmos e compartilharmos nossos sentimentos com uma simples conversa. Let’s talk, let’s taaaaalk.

8. Warning Sign

A triste canção do ‘A Rush of Blood to the Head’ marca presence nessa lista por sua composição harmoniosa. Sem contar que não poderia deixar de fora minha música preferida (falei que era um ato egoísta?). Essa bela música merece ser ouvida em todos os momentos. Fica a dica. This is a Warning Sign.

7. Shiver

O cantor da banda, Chris Martin, diz que a música foi feita para uma mulher. Mulher de sorte. Shiver, segunda música do álbum Parachutes, álbum de estréia da banda, é simplesmente sensacional, com um início empolgante e desenvolvimento emocionante. Shiver que significa arrepio, é um verdadeiro arrepio. Don’t you shiver?

6. Violet Hill


Música que faz parte do último álbum da banda, Violet Hill é a junção de grandes qualidades marcadas no repertório de Coldplay. Linda letra e melodia suave com toques românticos. Não podia deixar de fazer parte de uma lista de melhores músicas da banda.

5. In My Place

Quem não se amarra naquele início singular da bateria em In My Place e o posterior tocar da guitarra inconfundível? In My Place é uma das grandes músicas da banda. Canção elogiadíssima pela crítica por sua letra e melodia profundas.

4. Swallowed in the Sea

Me sentiria mal se não colocasse essa música na lista. Belíssima, eu diria. E provavelmente muitos fãs (quiçá todos) concordariam. A 11ª primeira música do X&Y surpreende com sua letra intensa e melodia crescente. Ao meu ver, uma das obras primas da banda, por isso sua colocação.

3. Yellow

Look at the stars. Look how they shine for you. And everything you do. They were all yellow. A música que apresenta Coldplay para o mundo. O primeiro single da banda é simplesmente uma das músicas mais fenomenais de amor. Uma poesia cantada, versos fantasiosos berrados, para um bem-querer que pode ser o nosso bem querer. Yellow é a mistura exata do lirismo e de uma melodia perfeita.

2. The Scientist

The Scientist em segundo? Que pecado. Pois é. Eu sei. Uma grande balada romântico guiada por um piano extraordinário. A canção que demonstra um eu-lírico apaixonado em busca do seu amor, com um pedido de desculpas mágico. Ninguém disse que seria fácil, ele diz. Ninguém disse. É verdade. Obra prima da música. Grandiosa. Fantástica.

1. Fix You.

A grande campeã. Simplesmente, o Magnum Opus da banda. Com uma letra cheia de aforismos especiais e uma melodia inigualável, Fix You é a melhor representação de qualidade da banda, com um Chorus belo e um intervalo no meio da música que leva seu fã a uma mistura de sensações incrível. Aquela guitarra forte com a bateria acompanhando no meio da música criando um clímax único parece nos preparar para seu Gran Finale.

Tears stream down your face,
When you lose something you cannot replace
Tears stream down your face
And I...


E então, o que acharam? Eu sei que foi um pecado deixar de for a músicas como Politik, Viva la Vida, Clocks, Trouble, entre outras. Mas é um trabalho difícil. Bom show a todos os fãs. Espero que tenham gostado. :)

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

A Moda do "Adotar"



Nosso planeta está, hoje, mergulhado em um pântano de sangue. Sangue derramado por mísseis do vale do silício, guiados por um Pentium IV. Jorrando a base de balas de 7,62 feitas para salvar vidas e defender ideais. Com tanques movidos a petróleo, o mesmo que trouxe o desenvolvimento. Tudo isso, localizado por um GPS, em um bombardeiro ou em um táxi.


Talvez, pela culpa de tantas mortes, os ícones, seres ímpares na humanidade. Aqueles que a ela se dedicaram sempre, os ricos, claro! Você pensou no nosso jovem soldado? Nos bombeiros e nos professores? Talvez por carregarem em seu egocentrismo, sozinhos, a culpa pelas atrocidades atuais; eles decidam em toda sua benevolência fazer algo de relevante pela sociedade.


Num golpe de devoção e sacrifício próprio, sem nenhuma intenção autopromotora, os mesmo retiram das zonas de crises uma única criança. Abençoada esta que levará agora um nome elitista, será mais um Hilton ou algo assim no mundo, enquanto as outras cem mil crianças conterrâneas padeceram de fome e dor.



Música da Semana – Die For Your Government (Anti-Flag)
Filme da Semana – “Falcão Negro em Perigo” (Gênero: Guerra)
Frase da Semana – “Os animais lutam, mas não fazem guerra. O homem é o único primata que planeja o extermínio dentro de sua própria espécie e o executa entusiasticamente e em grandes dimensões.”. (Hans Magnus Enzensberger)
Imagem – Um tanque de Guerra.


quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Disciplina e alguns versos.






.Sentei-me em uma mesa redonda junto com minhas orientadoras. Elas tinham que conversar comigo. Falar de minhas irresponsabilidades e decisões ao longo do ano, em que aceitei fazer uma monografia com as duas. Ouvi tudo que tinha de ser dito e fiz minha réplica. Foi uma conversa bem interessante. Em dois pontos: 1. é estranho ouvir críticas em forma educada mas contendo em suas entrelinhas palavras duras; 2. saber que tudo estava certo – a verdade dói -, mas a luta para que aquilo fosse mudado já estava em curso.


.Não foi questão de ano novo e aquelas promessas de 7 ondas tão convencionais, que se conseguirmos cumprir uma é muito. Foi uma questão individual extremamente pensada e estudada. Uma conversa interior e com requintes de definidora de um futuro totalmente indeciso. Nós (seres pensantes) adoramos criticar o que nos rodeia, exigindo mudanças e reestruturações do que achamos errados. Mas a máxima presente em poesias e músicas é extremamente importante para termos ‘moral’ para fazer essas críticas. Se quisermos mudar algo, é melhor começarmos por nós mesmos. E foi assim. Na noite do dia 2 de Janeiro, sozinho e com todas as luzes da casa apagadas tive uma conversa comigo e com tudo que me rodeava. Deus? Espíritos? Insetos? Acredite no que quiser, pois eu acredito no que tenho fé. E naquele momento era mais do que uma poeira cósmica racional. Era alguém que questionava e agonizava por mudar. Obs: Não fiz na noite do dia 1° de janeiro pois estava muito bêbado.


.E bem, pra iniciar uma mudança não dá pra fazer o que a maioria das pessoas fazem. Pedem por mudança, falam que vão mudar, mas no dia seguinte agem da mesma forma que todos os dias que antecederam. Uma mudança não cai do céu. E você não dorme um dia sendo Tom Cruise e acorda Brad Pitt (gostaram do exemplo, meninas?). Essa é a verdade. A mudança é construída. E a partir daquele dia aceitei cair em mudanças. Não podia ser radical e virar tudo de cabeça pra baixo. Comecei pelos detalhes. O que acredito que seja bom em mim, resolvi deixar. O de ruim, analisei e prometi tentar mudar.


.A verdade é que todos somos uma grande pedra de mármore para esculturas. E isso nunca mudará. Seremos para sempre esse mármore existêncial. O que pode nos mudar é o nosso moldar. O que prefere ser: um “O Pensador” de Rodin ou apenas um bloco retangular? Nosso caminhar na vida, vivenciamos a estaca da vida que nos molda a cada passo e ações. E escolhemos a escultura que queremos nos tornar. Quando mais integre e forte, mais bela. Todas as belas esculturas demoraram para serem feitas e exigiram muita dedicação. Por isso digo que viver é uma arte. E nós somos nossa própria escultura. O maior objeto artístico que podemos produzir.


.Voltando a questão principal, uma das grandes problemáticas da vida, principalmente na minha, é a disciplina. Ninguém precisar ir pro exército e ser disciplinado por superiores para se tornar um ser obediente (por sinal, sobrei, porra!). A disciplina é algo interno com influências externas, creio que primordialmente familiar. A escola ajuda muito também. Não que eu não tenha sido disciplinado por minha família. Longe disso. Mas a displicência e a preguiça são enormes inimigos da disciplina. E disciplina, considero como algo além de sua definição de um conjunto de leis ou ordens que regem certas coletividades. Disciplina é organização, respeito, obediência e comprometimento. Creio que a primeira e última palavras que uso para minha autodefinição de disciplina são as que unicamente me quebram. Não posso quesitionar a desorganização de ninguém, sou desorganizado. Não posso criticar o descomprometimento de ninguém, pois por muitas vezes quando era pra ser comprometido, fiz corpo mole.


.Mas hei de mudar. A cada passo que dou me torno mais sistemático, não perdendo meu jeito eloqüente-inconsequente que me caracteriza. E o compromisso virou a maior promessa política para conclusão de minha escultura. Tanto que terminei minha monografia e me tornei um cara extremamente comprometido com os projetos que me alio. Sempre fui fogo de palha. Muito empolgado pra fazer no início, mas o fogo ia abaixando, eu ia desanimando, até que nunca terminava o que fazia. Acho que isso acabou virando um estigma que me traumatizou, deixando na minha cabeça que não era capaz de terminar nada que fosse grandioso. Errei. E tive provas disso nos últimos anos de minha vida.


.Não deixem essa besteira de desanimação acabar com vocês. Não façam falsas promessas. Ajam com disciplina. Orientem-se ao máximo para poder mudar. YES, WE CAN!

Música da Semana – Acrillic on Canvas (Legião Urbana)
Filme da Semana – “Annapolis” (Gênero: Drama)
Frase da Semana – “Onde a força de vontade é grande, as dificuldades não podem sê-lo”. (Maquiavel)
Imagem – O Pensador de Rodin

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

All Apologies, but Baby...One More time.




Não sei se sentiram nossa falta, mas voltamos assim mesmo. Gostando ou não, o filho pródigo a casa sempre retorna. Depois de um período de vestibulares e, graças à Deus ou aos seus sinônimos, aprovações, sobra-nos mais tempo para aqui rondar. Claro, neste período, observações empíricas de nosso objeto de estudo, tudo, foram feitas e minuciosamente registradas em mentes cansadas porém ainda férteis.


Chegamos agora com projetos novos e novas roupagens para antigos, o “TDAUW” vai mudar? Não necessariamente, as postagens continuarão sendo nas datas estipuladas salvo empecilhos temporais de caráter improdutivo. Inicia-se, em breve, o “TDAUW-book” que com seu nome auto-explicativo não necessita de maiores explanações.


Agora os dois amigos apontam para destinos diferentes, trilhando vertentes diferentes do saber, um agora biólogo e outro agora filósofo, apresentarão visões mais distintas de assuntos iguais. Onde cada um, em seu universo, interage com seu meio de forma ímpar e ao fim do dia se encontram... E nesta hora, são a mesma pessoa.




Música da Semana – Here Comes The Sun (The Beatles)
Filme da Semana – “Apocalypse Now” (Gênero: Ação)
Frase da Semana – “Há algo mais importante que a lógica: é a imaginação.” (Alfred Hitchcock)
Imagem – Soldados Russos em Berlim.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Descaso






Considerando a originalidade humana quase nula, pegue uma escada. Coloque-a de frente para o seu armário, suba até o alto e diga o que vê. Alguns jogos de tabuleiro velhos, uma ou outra bola, uma peteca, seu pirocóptero que perdeu aos sete anos e pó, muito pó (estimo sinceramente que seja do tipo legalmente aceito, lê-se poeira). Enquanto neste momento você, ao recordar inúmeras lembranças em sua nostálgica imaginação, apresenta um rosto abobado e infantil, lembre-se, isto é o descaso.


O descaso pode ser também, imaterial, o descaso com um sentimento alheio, com o pensar do individuo social que difere do seu. A desvalorização da livre opinião do coletivo enquanto unidade, ou do ser, enquanto único; se é que me faço entender. As emoções humanas muitas vezes entram em conflito com a inteligência, o que faz com que tomemos atitudes movidas muitas vezes apenas por uma delas, visto que o ideal seria o balanceamento das duas.


Esse pequeno escrito é para apenas relatar a realidade das grandes cidades, mas principalmente, pedir desculpas pelo não só meu, mas também de meu companheiro de letras, por nosso descaso com nosso estimado Blog, de onde tiramos nosso pão de cada dia, material e intelectual, e onde conseguimos manter uma linha de comunicação direta com amigos e leitores; mais uma vez, perdoem-nos.



Post-Scriptum: Para mais um exemplo de descaso, vá a um hospital público.





Música da Semana – I Gotta Feeling (Black Eyed Peas)
Filme da Semana – “Besouro” (Gênero: Ação)
Frase da Semana – “D'abord il n'y a pas de gouvernements populaires. Gouverner, c'est mécontenter.” (Jacques Anatole François Thibault)
Imagem – Bagunça em um armário, no caso, o meu.


sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Crepúsculo - O retrato de uma juventude em declínio


. AVISO: Se você é fanaticamente cego pelo romance escrito por Stephenie Mayer, esse texto é Altamente Recomendável. Esse texto contém críticas fortes ao filme e aos seus fãs, mas o respeito pelo gosto é plenamente existente. A crítica é o ato de gostar. Gostar não tem problema nenhum. Tem gente que gosta de Pagode, não?

. Pois bem, essa semana todos os humanos normais foram pegos pelo "espetacular" lançamento do mais novo filme da série de livros sobre Vampiros que virou moda entre a juventude local, principalmente entre as meninas. Lua Nova estréia hoje nos cinemas brasileiros. Nessa sexta-feira dia 20. Uma pena não ter estreiado semana passada. Seria o melhor dia possível. A sexta-feira 13. Ou vampiros românticos não gostam de sexta-feira 13?

. O novo fenômeno cultural foi bastante parecido com os outros. Veio do nada, causou um choque, se instalou na sociedade e virou mania. Gostar de vampiros, comprar uma dentadura de vampiro e sujar a parte de baixo dos lábios com ketchup agora virou moda. E o sucesso é arrasador. Milhares de livros vendidos e salas de cinema cheias. Agora eu pergunto, por que estou falando disso?

. O que me fez despertar a vontade de escrever foi presenciar um fato alarmante ao ter uma conversa com uma boa pessoa. Ontem, ela falava sobre a estréia do novo filme da série. E falava com uma empolgação incrível. E ela deve ter mais de 25 anos. Até aí, "tudo bem". Tive misericórdia por sua alma, mas respeito o gosto das pessoas, o problema foi quando ela falou:
- Eu já comprei os ingressos pra mim e para minha filha. Acho que ela não conseguirá nem dormir direito de tanta ansiedade.

. Admito. Isso me espantou demais. Como algo produzido culturalmente pode deixar uma pobre pessoa sem dormir pela ansiedade produzida no dia que antecede sua estréia? Esse objeto produzido tem que ser algo estupendo criado por um gênio, no mínimo. E não é isso que acontece. Não, no caso de Lua Nova, ou se preferir Crepúsculo 2 - Vampiros em polvorosa.

. É evidente que histórias de seres mágicos e com poderes atrai a curiosidade do público. É fabuloso ir além de nosso pobre mundo de humanos sem poderes especiais. Não damos valor a termos braços, pernas e massa encefálica. Teríamos que pular muito alto, voar, ter super força e coisas do tipo. Pois isso é maravilhoso. Pois seríamos diferente. Seríamos Especiais. E ser especial é tudo que queremos. E todas as febres culturais se baseam nesse ingrediente especial. A arte da magia. Do mundo onde humanos não convivem apenas com humanos. E foi assim com Harry Potter. E foi assim com Senhor dos Anéis. Bruxos, elfos, orcs, magos e agora vampiros. O problema é: Onde isso tudo vai parar?

. Gnomos drogados na Suécia, talvez?

. A diferença gritante entre Crepúsculo e seus antecessores é notoriamente sua qualidade. Senhor dos Anéis é uma trilogia genial. Uma epopéia fantástica que produz uma própria mitologia que inventou o mundo dos RPGs e abalou todas as estruturas de histórias de fantasia. Por ser único. Por ser inovador. Já Harry Potter foi uma febre criada entre os jovens que em sua geração cresceram lendo uma história que ia sendo desenvolvida com o tempo. A relação idade-história é fato marcante e preponderante para o sucesso. A escrita dos livros foram evoluindo a cada um que era lançado. E seus leitores também, o que tornava sua história cada vez melhor. Cada vez mais adulta e sombria. Sem contar que seu roteiro em si é extremamente criativo, com personagens muito bem construídos. E tornou-se o que é. Agora, e o Crepúsculo?

. Crepúsculo é um mero enlatado americano que traz a soma de tudo que é pop, jogando em um liquidificador um roteiro inegavelmente romântico (o famoso bonitinho), um cenário jovem para as pessoas se identificarem e quererem estar no lugar e o mais importante... seres especiais fantasiosos que não existem, os Vampiros. Porém, não me espantaria se uma taxa das pessoas que gostam de Crepúsculo acreditem ferrenhamente na existência de vampiros como os do filme. Ah, e não esqueça do velho maniqueísmo de sempre entre o bem e o mau, fator essêncial nessa equação tão fácil de se visualizar.

. Admito que peguei o livro pra ler e também assisti o primeiro filme. Seria muito vazio e arrogante de minha parte fazer uma grande crítica sem ter fundamentos pra isso. Quem faz isso não tem a mínima noção do que é criticar. Primeiramente, o livro é um lixo. Roteiro bom. Escrita ruim. Narração fraca e nada chamativa, pelo menos pra mim. Mas é claro que o roteiro é interessante e faz as pessoas acompanharem, mas eu não consegui me prender. Não foi algo que me fez bem. Pra ler porcária, eu leio umas crônicas bastardas de política. E o filme? Bem. Eu só cito aquela cena onde o vampiro parece um carnavalesco-man todo purpurinado ao ter sua pele tocada por raios solares. Muito tosco. Porém, para muitos é bonitinho. Ok. Eu dispenso.

. O que me pergunto, é por que essa tendência em nossa juventude? Por que não se prender as fantasias delirantes de Dom Quixote e sua grande epopéia pelo amor? Por que não pegar a linda e magnânima história de O Pequeno Príncipe e se jogar em toda aquela imensidão fantasiosa envolta de pureza e amor? E isso é só pra citar os clássicos. Poderia falar de Dickens, Shakespeare, Saramago, entre outros. Eles são tão atuais. Escrevem tão bem. E de forma tão expressiva. Por quê? Por quê?

. Será que é preciso realmente pra todo sucesso novo ser algo cheio de clichês, sem nenhuma criatividade, seguindo a mesma fórmula de sempre para se criar uma febre juvenil? Eu não sei mais. Sem mais, queridos. Por hoje é só. Estou cansado. Ficam-se os questionamento.

. Por sinal, pra quem não sabe o que é, um Crepúsculo a claridade frouxa que precede a escuridão da noite ou a claridão do dia. Poeticamente, pode ser considerado como um período que precede o fim de algo, um período de declínio. E o único declínio que vejo é o de nossa juventude. Logo, por isso estamos presenciando esse Crepúsculo.

Música da Semana – Hotel California (The Eagles)
Filme da Semana – “Minhas adoráveis ex-namoradas” (Gênero: Comédia)
Frase da Semana – “É preciso cultura pra cuspir na estrutura” (Raul Seixas)
Imagem – Foto de um Crepúsculo.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Minha Cidade.






Hoje acordei sem saber o que escrever, sem inspiração. Nostalgicamente lembrei-me do quanto deixei de viver em função do medo. O medo de criar, o medo de inovar, de tocar, sentir e dizer. Querendo ou não, vivo em uma cidade medrosa que sofre do mesmo mal de seus habitantes. Turistas vem e vão, balas ficam, incrustadas no peito do Rio de Janeiro. Pense na cor preta, pense agora na morte, facilmente associadas não? Reflita que, a cor preta, o qual imaginamos como seja “a cara do pós morte” (mesmo que momentaneamente), só existe devido a consciência de estar vivo.


Uma hora, caminha-se com amigos por uma praça onde crianças brincam, seus amigos gritam, estás morto meu companheiro, seu assassino? Qualquer um. Pode ser um policial, um assaltante, o padeiro, o pipoqueiro, uma criança no escorregador ou um de seus amigos; vai saber. Em minha cidade, bandidos andam pela rua, enquanto fico encarcerado atrás das grades de minha janela.


Aconteceu, há tempos, d’eu andar pela calçada, inconsciente do perigo e, um tiro atingir a parede ao meu lado, centímetros acima da minha cabeça. Sorte? Deus? Mira ruim? Prefiro ficar com os três, nesta terra de belezas e armas incomparáveis, é melhor todas as opções. Temos aqui, uma Faixa de Gaza, quem disse que é exclusividade do Oriente Médio?


Alguns leitores, agora, estão se identificando, outros, tendo pena e alguns jamais virão aqui. Afirmo com embasamento e orgulho, minha cidade é tudo isso, porém, não a troco por nada. Com suas praias, suas montanhas, seu povo e seu céu –ao que penso ser único no planeta- o Rio de Janeiro, desculpem-me o clichê, continua e continuará lindo; independentemente do que façam com ele.




Música da Semana –Templars (Ancient Rites)
Filme da Semana – “Cruzadas” (Gênero: Aventura)
Frase da Semana – “Das Leben ist wie ein Fahrrad. Man muß sich vorwärts bewegen, um das Gleichgewicht nicht zu verlieren.” (Albert Einstein)
Imagem – Rio de Janeiro – Cristo Redentor





Obrigado ao meu amigo Jacques, pela ajuda de Sábado.


quinta-feira, 12 de novembro de 2009

A cidade apagou.



"A luz se foi e agora nada mais resta a não ser esperar por um novo sol, um novo tempo, nascido do mistério do tempo e do amor do homem pela luz".
Gore Vidal

. A cidade apagou. E não foi só aqui. Foi aí. Foi lá. Foi acolá. E não sei onde mais. Apenas apagou. Do nada. Apagou. A luz se foi. E tudo que estava iluminado não estava mais. Apagou. Assim. Sem mais nem menos. Com explicações plausíveis. Mas na hora ninguém entendeu. E até agora muita gente também não. Apagou. Foi piscando, piscando e piscando.... até que ficou bem fraca... e apagou.

. O que você estava fazendo? Era importante? Apagou. E como você ficou? Apagou também. E as memórias do momento, apagaram? Deixa pra lá, chega de questionamentos. Apagou e só. Não precisa ficar pensando e se explicando. Apagou ontem. Vai apagar amanhã? Não sei. E agora? Agora agora? Ou estou questionando se vai apagar amanhã e o que iremos fazer caso isso aconteça? Não sei. Apague isso também.

. No apagão ficaram beijos. E transas inesquecíveis. Aquela escondidinha, pros pais não verem. Mas a luz acabou. E a mãe veio com a vela ajudar o casal em pleno ato. No apagão ficaram choros. Choros tristes, de felicidade, infantis e tão adultos. Choramos pela morte. Choramos pela vida. Choramos pelo apagar. E choramos quando a luz voltou. Ou apenas dormimos. Não choramos, nem sorrimos. Foi e nem percebemos. Que idiotice. Ficar falando sobre o apagão. Mas afinal, onde você estava? Você. Você meu amor. Eu não consigo mais te achar. Te perdi em um apagão. Um apagão que veio muito antes desse apagão. Um apagão que te levou embora. E na escuridão de minha própria confusão, eu te perdi e a luz nunca mais voltou.

. E nada mais fez sentido. Dançar na escuridão, tocar o chão e sentir o infinito bailar por entre nossos dedos, cantar em sombras aconchegantes, brincar de fechar os olhos e ver nada mais do que já víamos com os olhos abertos. Foi assim. E pra sempre se foi um momento que nunca mais acenderá em nossas vidas. Quem riu, riu. Quem brigou, brigou. Quem não fez nada, só lamento.

. Deixa pra lá. As luzes voltaram. Estava calor. Pude ligar o ventilador. Achei interessante tomar banho a luz de velas. Meu corpo não é tão feio assim nas sombras. Pra falar a verdade, eu nem me lembro do apagão. Apaguei. Desde quando te perdi. E nada mais faz sentido.

. Não se percam. Apagões acontecem. Na vida e no amor. Mais aqueles que são de amor, nenhuma usina hidroelétrica, atômica, simbiótica ultra fodônica poderá trazer a luz de volta. Cuide-se. Dê a mão ao seu amor na escuridão. Diga com toda paixão que nunca irá abandoná-lo. Que sua voz seja o conforto e suas palavras os feixes de luz que rasgam a escuridão. Beije. E transforme trevas em esplendor.

Texto escrito ao longo de uma conversa com minha amiga Debbie. Obrigado pela companhia e inspiração, querida.


Música da Semana – You see me Crying (Aerosmith)
Filme da Semana – “Tartarugas podem voar” (Gênero: Drama)
Frase da Semana – "Duvidem de tudo. Encontrem sua própria luz." (Buda)

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Individualismo







O que faz o ser, enquanto pensante, ser individualista? É errado pensar em si próprio antes de cogitar refletir sobre o coletivo? E incidir sobre o coletivo? A resposta não poderia ser outra, não. É instintivo de todos os animais a sobrevivência, não podendo ser diferente com o homem, temos o instinto de sobreviver, o individualismo no caráter mais puro da palavra.


É fato que egoísmo e individualismo em sua unidade primária de sentido são diferenciadas facilmente. Podemos dizer até que o pensar individual antes do social move o mundo; de que forma? Consideremos a sociedade apenas com seu bloco econômico maior, o Capitalismo. Eu, assalariado de baixa posição hierárquica na minha fictícia empresa, trabalho pensando unicamente em meu bem-estar, no máximo o da minha família básica. Não me importando para o futuro do meu chefe. Pois bem, assim como “eu”, existem milhares de pessoas fazendo o mesmo, os quais, felizes ou não geram o sustento de seus chefes, movem o mercado financeiro e produzem bens e serviços para o mercado direto; tudo por que pensam apenas em si.


O ser humano, enquanto inserido em sociedade, abre mão de certa parte de seu individualismo, até por que necessita do coletivismo do outro e, também, de resquícios do que podemos de chamar “individualismo coletivo”; para assim ter os meios de se aproximar do viver e se afastar do sobreviver. Penso eu, então, que o social e o coletivo, nada mais são do que uma complexa ramificação do individualismo, ou mais precisamente uma ramificação de diversos individualismos; entrelaçados numa cadeia quase irracional, tão irracional que chega até fazer sentido.


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Desculpem minha ausência ontem, porém o apagão me impediu de escrever. Ainda acho que Mãe Dináh acerta mais do que as previsões dadas pelo Ministro de Minas e Energia e o Diretor da ONS


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Música da Semana – In The Shadows (The Rasmus)
Filme da Semana – “Uma Mente Brilhante” (Gênero: Drama biográfico)
Frase da Semana – “Quanto aos homens, não é o que eles são que me interessa, mas o que eles podem se tornar.” (Jean-Paul Sartre)
Imagem – O Homem Vitruviano (Leonardo Da Vinci)


sexta-feira, 6 de novembro de 2009

M.A



. Bem, meus queridos leitores. Nossa, eu falo como se fossem muitos. Continuando, eu queria pedir desculpas por não ter postado nada ontem. Eu até estava criando uma postagem durante a semana, mas algo aconteceu e eu fiquei impossibilitado de escrever qualquer coisa pro Blog.

. A verdade é que fui comemorar o aniversário de um amigo na Lapa. Rio de Janeiro 40°C, sol maldito na cabeça, inferno-espeto-quente. E tenho que admitir, foi uma das melhores saídas da minha vida.

Quem no dia que está fazendo 18 anos é barrado em um Bar por estar fazendo 18 anos? Essa é uma boa pergunta. Mas meu amigo que fez aniversário está com essa pergunta na cabeça até agora. E todos que foram com ele também estão. Os menores não seriam barrados, mas justamente ele que estava fazendo 18 foi barrado. Enfim, foda-se. O garçom foi muito babaca. Exclusivo daquele. A maioria são gente fina.

. Mas não mudou muito o destino da comemoração. Fomos pro Sinuca da Lapa, jogamos muito sinuca, na verdade eu nem tanto, estava um lixo de bêbado já na hora que chegou a vez da minha dupla e não encaçapei nada. Ainda bem que meu companheiro de jogo era compreensivo e sabia jogar, pois se fosse depender de mim, o resultado seria desastroso. Foda-se de novo.

. Bebemos e depois fomos pra outro bar, pra ficarmos em uma mesa e conversarmos. Não vou ficar falando tudo que fizemos. Só sei que foi muito bom. Cerveja, santo remédio, estou quase curado da gripe que peguei esses dias.

. Destaques para a Jukebox que estava tocando muito pagode, mas quando a galera botava as musicas, sempre saia algo foda. De Skid Row, Frejat até Kiss. O resto nem lembro mais.

. Parabéns Frederico, Oswaldo Aranha ou simplesmente Marco. Você é fodão. 18 and Life you got it. E só pra não me esquecer. Viva a Revolução Russa. Ou não. Foda-se a revolução russa.

. Acima, um texto que abordará um assunto sério. Esse é só um pedido de desculpas com explicações.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Ex-tresse Ex-ato



“A nossa maior glória não reside no fato de nunca cairmos, mas sim em levantarmo-nos sempre depois de cada queda.”
Confúcio

.Sabe, eu fiquei me perguntando se realmente deveria perder o meu tempo falando sobre esse assunto, que é muito batido e que incomoda a maioria das pessoas. A verdade é que há um tempo eu lera um texto genial de um blog - esses bloggers! - que representava tudo que uma pessoa poderia dizer sobre o fim de um relacionamento, sua derrocada, a superação e o posterior esquecimento. “Ex-problema, ex-crotice, ex-coliose mental” é o nome do texto, proveniente do Blog Controle Remoto. Percebam que até o título da postagem é uma referência. Nada mais justo: são ótimos os trocadilhos que podemos fazer com o prefixo ‘Ex’. Pelo menos pra isso eles(as) servem. Trocadilhos.


.Há um tempo que a máxima:
- Ex é uma merda;
não sai da minha cabeça. É incrível o poder dessas pessoas em te jogar pra baixo, te fazer mal e tudo isso só com lembranças. A pessoa vai embora, a história acaba, ficam os momentos bons, ficam os momentos ruins e você. E você, após tudo, é apenas um pequeno hamster solto em uma floresta selvagem. Foram-se 2 anos e 3 meses ao lado de uma pessoa que posso afirmar com toda certeza que eu amei. Por aí, dizem que o amor é eterno. Eu fico cismado com essa afirmação tão incomodante. Acabou. A relação não será pra sempre. Mas o amor que foi criado naquele período e perdurou por dias depois, serão eternos e tudo aquilo de bom será lembrado. Mas e agora, pequeno hamster?

.Terminar e cair na floresta é um processo difícil. É um processo de fortalecimento do ser. De recomeçar a jornada, só que agora sozinho. Namorar é ótimo, pois você deita a cabeça no travesseiro sabendo que alguém te ama e se preocupa com você. Agora não, agora você está sozinho, deitado sabe lá onde, com a cabeça sabe lá em que. Você tem que continuar em frente. E foda-se se deitar com a cabeça no travesseiro era mais confortável. Obviamente você terá recaídas, acordará na noite com toda vontade do mundo de ligar pra ela (ou ele) e implorará pra essa pessoa voltar pra você.

.Você não irá dormir. Aquela música que vocês sempre ouviam juntos irá rasgar seu coração. Arrumando seu quarto achará uma carta dela pra você e não resistirá acabará lendo. Então irá buscar todos os presentes que recebeu e ficará admirando. E pensará em como foi bom aquele tempo. E é nesse momento que os fracos se diferenciarão dos fortes. Após tudo isso você tem dois caminhos.

- Sorrir, levantar e dizer: Eu sei viver sem você em alto e bom tom; ou

- Abaixar a cabeça e ficará lamentando como um bom perdedor.


.Sofrer, sorrir, gritar, espernear, chamá-la de filha da puta fará parte do processo. Bebedeiras, encher a cara de chocolate, bater a cabeça na mesa, escrever poesias também. Admito que até hoje escrevo pra ela, me alternando entre coisas bonitas e fúteis com xingamentos poéticos. Seria muito mais fácil ligar uma máquina que apagasse todas as lembranças e deixasse você apenas com as coisas boas. Mas o mundo não é fácil e ninguém disse que seria. Temos que sofrer para aprender sozinhos e lidar com todos aspectos provenientes de uma ex-relação.


.Como é dito por meu companheiro blogueiro: “Os mais fracos, imediatamente encontram amores tapa-buraco, fingem ter superado, até mesmo acreditam, mas entram em prantos à sombra de qualquer lembrança e torcem para nunca encontrar o outro na rua”'. Por sinal, eu adoro essa definição de tapa buraco.


.Não seja assim. Sofra. Muito. Por muito tempo. O suficiente. Não brinquem com sua felicidade nem com seus sentimentos. Busquem o amor verdadeiro. Amem a si próprios antes de amar o próximo. Todos merecem ser felizes. Sem ser assombrados por fantasmas do passado.


.Hoje posso dizer que estou recuperado. Apesar de ter ficado mais de 1 ano nessa batalha contra um fantasma que ficou vivo na minha mente por tempos. Ela ainda aparece em meus sonhos e seu nome em espaços abstratos no meu dia-a-dia, mas eu não me abalo mais. Pois passou. Foi furacão, hoje é brisa passageira.


.Você pensa que viveu o maior amor de sua vida e que nunca se reencontrará. Passará por caminhos tortuosos, irá sofrer, fará besteiras mas no momento certo irá encontrar algo que abalará todas suas estruturas e perceberá que aquele primeiro nem era tudo aquilo que imaginava. Não se contento com pouco, não seja um fraco para não correr um perigo de casar-se com um reles tapa-buraco. Tenha esperança. Você pode. Você deve superar. Você é maior que isso.


Música da Semana - Sete Cidades (Legião Urbana)

Filme da Semana - Brilho Eterno de uma Mente sem Lembrança (Gênero: Drama)

Frase da Semana - "Purifica o teu coração antes de permitires que o amor entre nele, pois até o mel mais doce azeda num recipiente sujo". (Pitágoras)



quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Injustiça




. Injustiça, a injustiça é a mais antiga forma de justiça que se tem notícia, e isso é um fato. O homem corrobora seu quadro de defeitos com a imposição de seu julgamento por ele dito como correto. Nós enquanto seres pensantes, ao apurar os fatos, devemos ter para nós que independentemente de nosso julgamento não necessariamente estamos corretos; mesmo.

. Uma grande exemplificação disso é a Pena Máxima, consideremos um assassino; presente agora no Corredor mais angustiante de sua vida, a Justiça determinou sua execução. Ora pois, a Justiça determina que qualquer um de nós, com tendências assassinas ou não, não “pode” matar, por que então, posso ser morto pela mesma Justiça que determina isso?

. Escuto desde pequeno que o exemplo é a maior arma educacional, tanto preventiva quanto corretiva. Tendo como base os exemplos que temos hoje, como os mártires do Mensalão, da Máfia das Sanguessugas, dos Atos Secretos, a Família Nardoni, do abatimento do Águia e da estatização do trafico de drogas, como fonte de renda “indireta” de muitos governantes. A injeção letal me aguarda.





Música da Semana – Cocaine (Eric Clapton)
Filme da Semana – Eu, Cristiane F - 13 Anos, Drogada e Prostituída (Gênero: Drama)
Frase da Semana – “Não merece o doce quem não experimentou o amargo.” (Erasmo de Rotterdam)
Imagem – Estátua – Justiça (Vila de Berna)

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

A ampulheta



"Nascer, morrer, renascer ainda, progredir sempre, tal é a Lei."
Allan Kardec

. Estar trabalhando (leia-se estagiando) em um hospital é uma experiência muito valiosa, ainda mais para quem deseja seguir nessa área. É absurdamente cansativa a rotina que assumo nesses dias, piores quando estão chuvosos provocando um trânsito mais absurdo ainda. Porém, não consigo negar a apariçao de uma felicidade atípica com essa experiência, que tem se mostrado a cada dia mais importante na minha vida, tanto acadêmica-profissional como humana.

. O dia-a-dia de um local como o HC I (Hospital do Câncer) que fica localizado na Praça da Cruz Vermelha é algo grandioso. E olha que comento apenas por minha visão. Aposto que relatos diversos diriam o mesmo. O problema é: em que sentido estou empregando a palavra 'grandioso'?

. Eu uso o grandioso no que digo no mesmo sentido que usaria dizendo: "A vida é grandiosa". Grandiosa, por quê? Por suas múltiplas facetas, infitinas possibilidades, acontecimentos inconstantes, aspirações efêmeras, batimentos cardíacos desconcertantes. E a vida é isso... e muito mais. E ela nos proporciona diversos momentos. Bons e ruins. E ontem, na grandiosa vida de um hospital, eu caí. Saí do corpo por um momento, pra me levar em um refúgio de pensamentos, que me desse alguma resposta, que me tirasse aquela angústia provocada.

. Vou explicar. A chefe do departamento que eu estou(hematologia), chamou-me e chamou um amigo que está estagiando comigo para olhar uma lâmina de um paciente, para observarmos as células brancas presentes (espero que não tenham faltado a essa aula de biologia). Quando olhei, enxerguei um alto número de blastos leucêmicos, configurando que naquela lâmina de um indíviduo que estava vendo, um paciente de leucemia. Até aí, "tudo bem". Já tinha visto lâminas desse tipo, o que me jogou pra fora da órbita, foi o seguinte. Aquele paciente não estava mais no hospital. Ela (era uma mulher) estava em casa. O médico tinha dado "alta" pra ele. Pois não tinha mais o que fazer. Acabou. Não dava pra curar a leucemia daquela pessoa. "Volte para casa, minha filha, você irá morrer..."

. Eu não conseguia entender. À partir daquele momento, eu já não era mais o garoto sorridente que fazia piada com tudo no setor. Eu fiquei perplexo. O fim. Assim. Eu não sei o nome dela. Não sei onde mora. De onde veio. Mas sei para onde vai e torço que seja para um lugar melhor. Talvez ela tenha dois meses ainda. Duas semanas. Dois dias. Duas horas. Dois segundos... acabou. Talvez ela tenha morrido hoje. Quem sabe? E agora? Como deve ser? E viver com um prazo à expirar? Isso é vida?

. É fato primordial que a cada segundo que se passa, estamos nos aproximamos de nosso momento final. Mas a nossa concepção de vida é futurista. É difícil colocarmos em pauta a filosofia Carpe Diem e aproveitar o máximo de cada dia como se fosse o último, pois no fundo, algo em nós diz que aquele não é o último. Mas poderia ser, não pode? Quem sabe? Em nosso novo mundo, até respirar é perigoso. Saímos de casa sem saber se vamos voltar. Mas no fundo, achamos que vamos e tudo continuará bem. Pois domingo que vem tem festa de fulana e eu preciso arranjar uma roupa legal pra ir. Mas ninguém nunca joga a opção de morrer até lá. E vive do mesmo modo "normal", pois é "normal" pensar que o sentido da vida é viver, crescer, envelhecer e morrer. Mas o mundo produz rupturas. A vida e o destino produzem cortes nessa ordem lógica, que podem acontecer a qualquer instante. E ela? Será que ainda está viva? O tempo pra ela nunca foi tão precioso. O que ela deve estar fazendo? Será que tem filhos? Eles irão chorar. Ela irá chorar. Todos iremos um dia, quando um ente querido partir e quando nós partirmos.

. Me desculpem, mas esse não é mais um texto que futilmente questiona: O que você faria se morresse amanha?

. Esse é um texto que questiona: O que você NÃO fará caso morra amanhã? Entende a diferença. O que perderemos se a foice do vazio cortar nossa linha de vida? Nossos planos futuros serão todos perdidos. Não iremos na festa da fulana. Não receberemos nosso diploma Não teremos filhos. Não diremos: "Eu aceito". E eu não continuarei a escrever e você, provavelmente ler...

. A ampulheta da vida está virada. Os grãos estão caindo. Eles não são infinitos. Porém, não se esqueça. A qualquer momento a ampulheta pode ser quebrada.

Dedico esse texto à uma desconhecida que pode nunca vir a saber, mas marcará minha vida para todo o sempre. Obrigado.

Música da Semana - The End (The Doors / The Beatles)
Filme da Semana - À espera de um milagre (Drama)
Frase da Semana - "Você não pode escolher como vai morrer ou quando, você só pode decidir como vai viver agora". (Joan Baez)
Imagem - Uma ampulheta.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Atraso.




. Ah, o atraso... O pecado dos atarefados, dos sem tempo, ausência de tempo para ter tempo; atrasado! Algo que nenhum responsável terá o prazer de viver. Um algo descomprometido de compromisso, volátil, inconstante, engraçado e às vezes ameaçador. Emocionante fato na vida daquele que vive para viver, jamais o chame de desapegado! Pelo contrário, de tão apegado e metódico, aproveita, usufrui e analisa todos os trejeitos do existir, individual e coletivo.


. Já dizia Platão: “Os legais, nunca chegam no início da festa”. O sabor de estar atrasado e a adrenalina do atraso é sem igual. Quando o atraso é intencional então, único! Quem nunca o fez para ver se sentiam sua falta? Para ver se notavam sua ausência? Ora pois, todos já o fizeram ao menos uma vez! É valorizar a si mesmo, saber a quantas anda sua pessoa.


. Confesso, há horas em que um atraso é inadmissível... E horas, em que é salvador. Exemplificando: ontem mesmo, às três da madrugada, o meu vizinho já idoso caiu de sua cadeira de rodas enquanto todos dormiam – sim, o que ele fazia na rua àquela hora? Talvez seja melhor não saber – fui ao resgate do mesmo; inadmissível um atraso! Exemplificando a outra situação: honrando o nome de nosso querido Blog, quem nunca foi salvo de um sinistro por estar atrasado?


. Bom, o tom diferenciado do texto, é quase um pedido de desculpas pelo atraso. Sabem como é, vida atarefada...Não ocorrerá novamente, promessa. De fato, tira-se até conclusões proveitosas desse pequeno monte de letras. Novamente, perdão – mas nunca me deixem esperando, detesto isso!


Música da Semana - Jesu Joy of Man's Desiring (Celtic Woman)

Filme da SemanaEternal Sunshine of the Spotless Mind (Gênero: Drama/Romance/Ficção Científica)
Frase da Semana – “Se não te lembram as menores tolices que o amor te levou a fazer, é que jamais amaste” [ Como gostais (1599-1600), Ato I – Cena IV -: Silvio ; William Shakespeare)

Imagem - A persistência da memória (Salvador Dali)



quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Depois da Meia-Noite




I - Hoje

Andando por entre os pingos de chuva
Sozinho, porém acompanhado com o choro dos céus.
Nada parece tão desafiador
Quando o desafio é continuar a respirar
Debaixo dos panos pesados da vida

O silêncio que toma conta de mim,
Me transforma em uma sinfonia muda,
Composta pelo maestro do vazio,
Com acordes de angústia,
À espera do ato final.

É tão difícil temer algo que é inevitável.
Antes temêssemos coisas que nunca iremos enfrentar.
Mas da morte ninguém escapa,
Uma hora ela vai chegar.
Ninguém está totalmente preparado.
Ninguém estará plenamente satisfeito.
E agora? Se for agora?
Aquele beijo que só ficou nos pensamentos
E agora se encontra na mente que não mais pensa.

Nosso amor será para sempre infinito
Preso naquele tempo que se foi.
E quem ninguém duvide disso.
Nem eu. Nem você.
Só que agora eu busco outra história.
Outro infinito.
Outro veneno mortal.
Que me remedeie dessa dor.
Outra história sem final.
Outro conto de amor.



II - Você

Você,
Tão pequena que diz que não conhece o amor.
Você,
Tão esperançosa à espera do antigo amor.
Você,
Tão rígida, a história te trouxe dor.
Você,
Está comigo, seja aonde for.
Você, meu amigo,
Que os espíritos te conduzam a luz
Você, minha linda,
Nossa história está por acabar,
Você, indeciso,
Enfrente o monstro que te seduz,
Você, desconhecida,
Traga-me de volta a vontade de amar.

III – Das canções.

Agora cantam canções românticas
Eu não me vejo com ninguém.
As palavras perderam as semânticas.
Estamos esperando por alguém.

Que nos complete.
Que diga bom dia com paixão.
Que nos reflete.
Trazendo a luz pra escuridão.
Eu confio em você,
Estenderei aqui, a minha mão.
Você confia em mim?
Só existe uma opção.

Escrever por escrever.
Sem ter qualquer razão.
Vivem sem por querer
No meio dessa solidão.


IV – Erro

Amar é erro.
Mas não custa nada errar.
Amar é enfermo.
Vale a pena arriscar.
Amar é medo.
Não sei mais se quero tentar.
Não se apaixone por mim.
Pois é como um enterro.
Deixe que eu me apaixone por você.
Pois sei que amar é erro.

V - O que eu queria dizer

O que eu queria dizer
Mas não consegui tentar falar
Pois as palavras ficaram no labirinto da vergonha
É que não consigo te olhar
Sem querer te desejar.

O que eu queria dizer
Na verdade é um pedir
Talvez um suplicar
Que antes de eu partir
O poder de te beijar.

O que eu queria dizer,
Mas com palavras não consigo,
E nunca conseguirei,
É que estou hoje aqui,
E para sempre estarei.

O que eu queria dizer,
Pode ser muita bobeira,
Uma coisa de menino,
De menino apaixonado,
Que só fica feliz quando fica ao seu lado.

O que eu queria dizer,
É simples e mundano.
Todo mundo diz uma vez,
Mas só digo pra você,
E eu digo que te amo.

Obs: Poesias feitas durante a semana dedicadas a Amanda, Wlad, Tri, Karen, Cacal, Lary e Lara.

Música da Semana - Monstro Invisível (O Rappa)
Filme da Semana - Laranja Mecânica (Gênero: Drama/Ficção Científica)
Frase da Semana - "O amor não é uma fórmula e sim uma equação de inúmeras variáveis" (Gérson M.)
Imagem - A noite estrelada (Van Gogh)