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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

A Moda do "Adotar"



Nosso planeta está, hoje, mergulhado em um pântano de sangue. Sangue derramado por mísseis do vale do silício, guiados por um Pentium IV. Jorrando a base de balas de 7,62 feitas para salvar vidas e defender ideais. Com tanques movidos a petróleo, o mesmo que trouxe o desenvolvimento. Tudo isso, localizado por um GPS, em um bombardeiro ou em um táxi.


Talvez, pela culpa de tantas mortes, os ícones, seres ímpares na humanidade. Aqueles que a ela se dedicaram sempre, os ricos, claro! Você pensou no nosso jovem soldado? Nos bombeiros e nos professores? Talvez por carregarem em seu egocentrismo, sozinhos, a culpa pelas atrocidades atuais; eles decidam em toda sua benevolência fazer algo de relevante pela sociedade.


Num golpe de devoção e sacrifício próprio, sem nenhuma intenção autopromotora, os mesmo retiram das zonas de crises uma única criança. Abençoada esta que levará agora um nome elitista, será mais um Hilton ou algo assim no mundo, enquanto as outras cem mil crianças conterrâneas padeceram de fome e dor.



Música da Semana – Die For Your Government (Anti-Flag)
Filme da Semana – “Falcão Negro em Perigo” (Gênero: Guerra)
Frase da Semana – “Os animais lutam, mas não fazem guerra. O homem é o único primata que planeja o extermínio dentro de sua própria espécie e o executa entusiasticamente e em grandes dimensões.”. (Hans Magnus Enzensberger)
Imagem – Um tanque de Guerra.


quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Disciplina e alguns versos.






.Sentei-me em uma mesa redonda junto com minhas orientadoras. Elas tinham que conversar comigo. Falar de minhas irresponsabilidades e decisões ao longo do ano, em que aceitei fazer uma monografia com as duas. Ouvi tudo que tinha de ser dito e fiz minha réplica. Foi uma conversa bem interessante. Em dois pontos: 1. é estranho ouvir críticas em forma educada mas contendo em suas entrelinhas palavras duras; 2. saber que tudo estava certo – a verdade dói -, mas a luta para que aquilo fosse mudado já estava em curso.


.Não foi questão de ano novo e aquelas promessas de 7 ondas tão convencionais, que se conseguirmos cumprir uma é muito. Foi uma questão individual extremamente pensada e estudada. Uma conversa interior e com requintes de definidora de um futuro totalmente indeciso. Nós (seres pensantes) adoramos criticar o que nos rodeia, exigindo mudanças e reestruturações do que achamos errados. Mas a máxima presente em poesias e músicas é extremamente importante para termos ‘moral’ para fazer essas críticas. Se quisermos mudar algo, é melhor começarmos por nós mesmos. E foi assim. Na noite do dia 2 de Janeiro, sozinho e com todas as luzes da casa apagadas tive uma conversa comigo e com tudo que me rodeava. Deus? Espíritos? Insetos? Acredite no que quiser, pois eu acredito no que tenho fé. E naquele momento era mais do que uma poeira cósmica racional. Era alguém que questionava e agonizava por mudar. Obs: Não fiz na noite do dia 1° de janeiro pois estava muito bêbado.


.E bem, pra iniciar uma mudança não dá pra fazer o que a maioria das pessoas fazem. Pedem por mudança, falam que vão mudar, mas no dia seguinte agem da mesma forma que todos os dias que antecederam. Uma mudança não cai do céu. E você não dorme um dia sendo Tom Cruise e acorda Brad Pitt (gostaram do exemplo, meninas?). Essa é a verdade. A mudança é construída. E a partir daquele dia aceitei cair em mudanças. Não podia ser radical e virar tudo de cabeça pra baixo. Comecei pelos detalhes. O que acredito que seja bom em mim, resolvi deixar. O de ruim, analisei e prometi tentar mudar.


.A verdade é que todos somos uma grande pedra de mármore para esculturas. E isso nunca mudará. Seremos para sempre esse mármore existêncial. O que pode nos mudar é o nosso moldar. O que prefere ser: um “O Pensador” de Rodin ou apenas um bloco retangular? Nosso caminhar na vida, vivenciamos a estaca da vida que nos molda a cada passo e ações. E escolhemos a escultura que queremos nos tornar. Quando mais integre e forte, mais bela. Todas as belas esculturas demoraram para serem feitas e exigiram muita dedicação. Por isso digo que viver é uma arte. E nós somos nossa própria escultura. O maior objeto artístico que podemos produzir.


.Voltando a questão principal, uma das grandes problemáticas da vida, principalmente na minha, é a disciplina. Ninguém precisar ir pro exército e ser disciplinado por superiores para se tornar um ser obediente (por sinal, sobrei, porra!). A disciplina é algo interno com influências externas, creio que primordialmente familiar. A escola ajuda muito também. Não que eu não tenha sido disciplinado por minha família. Longe disso. Mas a displicência e a preguiça são enormes inimigos da disciplina. E disciplina, considero como algo além de sua definição de um conjunto de leis ou ordens que regem certas coletividades. Disciplina é organização, respeito, obediência e comprometimento. Creio que a primeira e última palavras que uso para minha autodefinição de disciplina são as que unicamente me quebram. Não posso quesitionar a desorganização de ninguém, sou desorganizado. Não posso criticar o descomprometimento de ninguém, pois por muitas vezes quando era pra ser comprometido, fiz corpo mole.


.Mas hei de mudar. A cada passo que dou me torno mais sistemático, não perdendo meu jeito eloqüente-inconsequente que me caracteriza. E o compromisso virou a maior promessa política para conclusão de minha escultura. Tanto que terminei minha monografia e me tornei um cara extremamente comprometido com os projetos que me alio. Sempre fui fogo de palha. Muito empolgado pra fazer no início, mas o fogo ia abaixando, eu ia desanimando, até que nunca terminava o que fazia. Acho que isso acabou virando um estigma que me traumatizou, deixando na minha cabeça que não era capaz de terminar nada que fosse grandioso. Errei. E tive provas disso nos últimos anos de minha vida.


.Não deixem essa besteira de desanimação acabar com vocês. Não façam falsas promessas. Ajam com disciplina. Orientem-se ao máximo para poder mudar. YES, WE CAN!

Música da Semana – Acrillic on Canvas (Legião Urbana)
Filme da Semana – “Annapolis” (Gênero: Drama)
Frase da Semana – “Onde a força de vontade é grande, as dificuldades não podem sê-lo”. (Maquiavel)
Imagem – O Pensador de Rodin

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Minha Cidade.






Hoje acordei sem saber o que escrever, sem inspiração. Nostalgicamente lembrei-me do quanto deixei de viver em função do medo. O medo de criar, o medo de inovar, de tocar, sentir e dizer. Querendo ou não, vivo em uma cidade medrosa que sofre do mesmo mal de seus habitantes. Turistas vem e vão, balas ficam, incrustadas no peito do Rio de Janeiro. Pense na cor preta, pense agora na morte, facilmente associadas não? Reflita que, a cor preta, o qual imaginamos como seja “a cara do pós morte” (mesmo que momentaneamente), só existe devido a consciência de estar vivo.


Uma hora, caminha-se com amigos por uma praça onde crianças brincam, seus amigos gritam, estás morto meu companheiro, seu assassino? Qualquer um. Pode ser um policial, um assaltante, o padeiro, o pipoqueiro, uma criança no escorregador ou um de seus amigos; vai saber. Em minha cidade, bandidos andam pela rua, enquanto fico encarcerado atrás das grades de minha janela.


Aconteceu, há tempos, d’eu andar pela calçada, inconsciente do perigo e, um tiro atingir a parede ao meu lado, centímetros acima da minha cabeça. Sorte? Deus? Mira ruim? Prefiro ficar com os três, nesta terra de belezas e armas incomparáveis, é melhor todas as opções. Temos aqui, uma Faixa de Gaza, quem disse que é exclusividade do Oriente Médio?


Alguns leitores, agora, estão se identificando, outros, tendo pena e alguns jamais virão aqui. Afirmo com embasamento e orgulho, minha cidade é tudo isso, porém, não a troco por nada. Com suas praias, suas montanhas, seu povo e seu céu –ao que penso ser único no planeta- o Rio de Janeiro, desculpem-me o clichê, continua e continuará lindo; independentemente do que façam com ele.




Música da Semana –Templars (Ancient Rites)
Filme da Semana – “Cruzadas” (Gênero: Aventura)
Frase da Semana – “Das Leben ist wie ein Fahrrad. Man muß sich vorwärts bewegen, um das Gleichgewicht nicht zu verlieren.” (Albert Einstein)
Imagem – Rio de Janeiro – Cristo Redentor





Obrigado ao meu amigo Jacques, pela ajuda de Sábado.


sexta-feira, 9 de outubro de 2009

A ampulheta



"Nascer, morrer, renascer ainda, progredir sempre, tal é a Lei."
Allan Kardec

. Estar trabalhando (leia-se estagiando) em um hospital é uma experiência muito valiosa, ainda mais para quem deseja seguir nessa área. É absurdamente cansativa a rotina que assumo nesses dias, piores quando estão chuvosos provocando um trânsito mais absurdo ainda. Porém, não consigo negar a apariçao de uma felicidade atípica com essa experiência, que tem se mostrado a cada dia mais importante na minha vida, tanto acadêmica-profissional como humana.

. O dia-a-dia de um local como o HC I (Hospital do Câncer) que fica localizado na Praça da Cruz Vermelha é algo grandioso. E olha que comento apenas por minha visão. Aposto que relatos diversos diriam o mesmo. O problema é: em que sentido estou empregando a palavra 'grandioso'?

. Eu uso o grandioso no que digo no mesmo sentido que usaria dizendo: "A vida é grandiosa". Grandiosa, por quê? Por suas múltiplas facetas, infitinas possibilidades, acontecimentos inconstantes, aspirações efêmeras, batimentos cardíacos desconcertantes. E a vida é isso... e muito mais. E ela nos proporciona diversos momentos. Bons e ruins. E ontem, na grandiosa vida de um hospital, eu caí. Saí do corpo por um momento, pra me levar em um refúgio de pensamentos, que me desse alguma resposta, que me tirasse aquela angústia provocada.

. Vou explicar. A chefe do departamento que eu estou(hematologia), chamou-me e chamou um amigo que está estagiando comigo para olhar uma lâmina de um paciente, para observarmos as células brancas presentes (espero que não tenham faltado a essa aula de biologia). Quando olhei, enxerguei um alto número de blastos leucêmicos, configurando que naquela lâmina de um indíviduo que estava vendo, um paciente de leucemia. Até aí, "tudo bem". Já tinha visto lâminas desse tipo, o que me jogou pra fora da órbita, foi o seguinte. Aquele paciente não estava mais no hospital. Ela (era uma mulher) estava em casa. O médico tinha dado "alta" pra ele. Pois não tinha mais o que fazer. Acabou. Não dava pra curar a leucemia daquela pessoa. "Volte para casa, minha filha, você irá morrer..."

. Eu não conseguia entender. À partir daquele momento, eu já não era mais o garoto sorridente que fazia piada com tudo no setor. Eu fiquei perplexo. O fim. Assim. Eu não sei o nome dela. Não sei onde mora. De onde veio. Mas sei para onde vai e torço que seja para um lugar melhor. Talvez ela tenha dois meses ainda. Duas semanas. Dois dias. Duas horas. Dois segundos... acabou. Talvez ela tenha morrido hoje. Quem sabe? E agora? Como deve ser? E viver com um prazo à expirar? Isso é vida?

. É fato primordial que a cada segundo que se passa, estamos nos aproximamos de nosso momento final. Mas a nossa concepção de vida é futurista. É difícil colocarmos em pauta a filosofia Carpe Diem e aproveitar o máximo de cada dia como se fosse o último, pois no fundo, algo em nós diz que aquele não é o último. Mas poderia ser, não pode? Quem sabe? Em nosso novo mundo, até respirar é perigoso. Saímos de casa sem saber se vamos voltar. Mas no fundo, achamos que vamos e tudo continuará bem. Pois domingo que vem tem festa de fulana e eu preciso arranjar uma roupa legal pra ir. Mas ninguém nunca joga a opção de morrer até lá. E vive do mesmo modo "normal", pois é "normal" pensar que o sentido da vida é viver, crescer, envelhecer e morrer. Mas o mundo produz rupturas. A vida e o destino produzem cortes nessa ordem lógica, que podem acontecer a qualquer instante. E ela? Será que ainda está viva? O tempo pra ela nunca foi tão precioso. O que ela deve estar fazendo? Será que tem filhos? Eles irão chorar. Ela irá chorar. Todos iremos um dia, quando um ente querido partir e quando nós partirmos.

. Me desculpem, mas esse não é mais um texto que futilmente questiona: O que você faria se morresse amanha?

. Esse é um texto que questiona: O que você NÃO fará caso morra amanhã? Entende a diferença. O que perderemos se a foice do vazio cortar nossa linha de vida? Nossos planos futuros serão todos perdidos. Não iremos na festa da fulana. Não receberemos nosso diploma Não teremos filhos. Não diremos: "Eu aceito". E eu não continuarei a escrever e você, provavelmente ler...

. A ampulheta da vida está virada. Os grãos estão caindo. Eles não são infinitos. Porém, não se esqueça. A qualquer momento a ampulheta pode ser quebrada.

Dedico esse texto à uma desconhecida que pode nunca vir a saber, mas marcará minha vida para todo o sempre. Obrigado.

Música da Semana - The End (The Doors / The Beatles)
Filme da Semana - À espera de um milagre (Drama)
Frase da Semana - "Você não pode escolher como vai morrer ou quando, você só pode decidir como vai viver agora". (Joan Baez)
Imagem - Uma ampulheta.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Atraso.




. Ah, o atraso... O pecado dos atarefados, dos sem tempo, ausência de tempo para ter tempo; atrasado! Algo que nenhum responsável terá o prazer de viver. Um algo descomprometido de compromisso, volátil, inconstante, engraçado e às vezes ameaçador. Emocionante fato na vida daquele que vive para viver, jamais o chame de desapegado! Pelo contrário, de tão apegado e metódico, aproveita, usufrui e analisa todos os trejeitos do existir, individual e coletivo.


. Já dizia Platão: “Os legais, nunca chegam no início da festa”. O sabor de estar atrasado e a adrenalina do atraso é sem igual. Quando o atraso é intencional então, único! Quem nunca o fez para ver se sentiam sua falta? Para ver se notavam sua ausência? Ora pois, todos já o fizeram ao menos uma vez! É valorizar a si mesmo, saber a quantas anda sua pessoa.


. Confesso, há horas em que um atraso é inadmissível... E horas, em que é salvador. Exemplificando: ontem mesmo, às três da madrugada, o meu vizinho já idoso caiu de sua cadeira de rodas enquanto todos dormiam – sim, o que ele fazia na rua àquela hora? Talvez seja melhor não saber – fui ao resgate do mesmo; inadmissível um atraso! Exemplificando a outra situação: honrando o nome de nosso querido Blog, quem nunca foi salvo de um sinistro por estar atrasado?


. Bom, o tom diferenciado do texto, é quase um pedido de desculpas pelo atraso. Sabem como é, vida atarefada...Não ocorrerá novamente, promessa. De fato, tira-se até conclusões proveitosas desse pequeno monte de letras. Novamente, perdão – mas nunca me deixem esperando, detesto isso!


Música da Semana - Jesu Joy of Man's Desiring (Celtic Woman)

Filme da SemanaEternal Sunshine of the Spotless Mind (Gênero: Drama/Romance/Ficção Científica)
Frase da Semana – “Se não te lembram as menores tolices que o amor te levou a fazer, é que jamais amaste” [ Como gostais (1599-1600), Ato I – Cena IV -: Silvio ; William Shakespeare)

Imagem - A persistência da memória (Salvador Dali)