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quinta-feira, 12 de novembro de 2009

A cidade apagou.



"A luz se foi e agora nada mais resta a não ser esperar por um novo sol, um novo tempo, nascido do mistério do tempo e do amor do homem pela luz".
Gore Vidal

. A cidade apagou. E não foi só aqui. Foi aí. Foi lá. Foi acolá. E não sei onde mais. Apenas apagou. Do nada. Apagou. A luz se foi. E tudo que estava iluminado não estava mais. Apagou. Assim. Sem mais nem menos. Com explicações plausíveis. Mas na hora ninguém entendeu. E até agora muita gente também não. Apagou. Foi piscando, piscando e piscando.... até que ficou bem fraca... e apagou.

. O que você estava fazendo? Era importante? Apagou. E como você ficou? Apagou também. E as memórias do momento, apagaram? Deixa pra lá, chega de questionamentos. Apagou e só. Não precisa ficar pensando e se explicando. Apagou ontem. Vai apagar amanhã? Não sei. E agora? Agora agora? Ou estou questionando se vai apagar amanhã e o que iremos fazer caso isso aconteça? Não sei. Apague isso também.

. No apagão ficaram beijos. E transas inesquecíveis. Aquela escondidinha, pros pais não verem. Mas a luz acabou. E a mãe veio com a vela ajudar o casal em pleno ato. No apagão ficaram choros. Choros tristes, de felicidade, infantis e tão adultos. Choramos pela morte. Choramos pela vida. Choramos pelo apagar. E choramos quando a luz voltou. Ou apenas dormimos. Não choramos, nem sorrimos. Foi e nem percebemos. Que idiotice. Ficar falando sobre o apagão. Mas afinal, onde você estava? Você. Você meu amor. Eu não consigo mais te achar. Te perdi em um apagão. Um apagão que veio muito antes desse apagão. Um apagão que te levou embora. E na escuridão de minha própria confusão, eu te perdi e a luz nunca mais voltou.

. E nada mais fez sentido. Dançar na escuridão, tocar o chão e sentir o infinito bailar por entre nossos dedos, cantar em sombras aconchegantes, brincar de fechar os olhos e ver nada mais do que já víamos com os olhos abertos. Foi assim. E pra sempre se foi um momento que nunca mais acenderá em nossas vidas. Quem riu, riu. Quem brigou, brigou. Quem não fez nada, só lamento.

. Deixa pra lá. As luzes voltaram. Estava calor. Pude ligar o ventilador. Achei interessante tomar banho a luz de velas. Meu corpo não é tão feio assim nas sombras. Pra falar a verdade, eu nem me lembro do apagão. Apaguei. Desde quando te perdi. E nada mais faz sentido.

. Não se percam. Apagões acontecem. Na vida e no amor. Mais aqueles que são de amor, nenhuma usina hidroelétrica, atômica, simbiótica ultra fodônica poderá trazer a luz de volta. Cuide-se. Dê a mão ao seu amor na escuridão. Diga com toda paixão que nunca irá abandoná-lo. Que sua voz seja o conforto e suas palavras os feixes de luz que rasgam a escuridão. Beije. E transforme trevas em esplendor.

Texto escrito ao longo de uma conversa com minha amiga Debbie. Obrigado pela companhia e inspiração, querida.


Música da Semana – You see me Crying (Aerosmith)
Filme da Semana – “Tartarugas podem voar” (Gênero: Drama)
Frase da Semana – "Duvidem de tudo. Encontrem sua própria luz." (Buda)